sábado, 24 de outubro de 2009

bléh!



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as vezes dá uma vontaaade de sair correndo!

pegar o primeiro ônibus pra lugar algum...

descer naquela rua que eu já vi passar

andar pela calçada, suja, de pé no chão...

ver gente passando, de mil formas e cores

ver mil jeitos, mil amores,mil sabores diferentes de sorvetes e bolinhos quentes...

Petit Gateau's ambulântes!

mil suores exorcisando a mandinga das semanas que passam

festejando a vitória de ser eles mesmos por um momento sequer...

nem que seja uma única vez na vida...

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pares

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Um par e meio / Pra cada dia da semana / Um mês que vem / Um mês que vai / No mês que vem eu te juro / Te juro nunca mais / Uma tequila amiga / Um sentido aguçado / Um aperto no peito, / Um aperto de mão / Um sorriso entalado / Um sorriso enlatado / E uma boca trêmula / Só pra te ver partir / Um choro amargurado de quem dera ir / Quem dera vir / Quem dera ser essa coisa que te prende / Mas você quer voar / Quer partir de mim / Partir assim, sem sal / Sem paz, sem nada a dizer / Com tudo que tem / Com tudo de mim / Vai e não volta / Volta e meia diz que sim, que não / E não tem bem certeza da certeza de si mesmo / Insanidade? / Mata um, mata dois e meio / Corações que partem / Partidos se rebatem na cachola apertada / Na garganta doída / Na cabeça aprumada / Desapruma meu amor / Se arruma pra festa da despedida / É amor? O que é? / Uma vida / Uma vida e meia / Pra que meias me desse / Pra aquecer os pés / Pra não se resfriar / Se enrosca em mim, se despe e desmancha / Essa amargura repente / De quem quer encontrar / Uma pedra, uma ponta / Um pouquinho de sombra / No lençol encardido de mais de mil manhãs / Vem me devolve meu sono / Sê a minha alegria / Vem ser todos os dias / Que creio Deus dará / Vem ser o meu ‘pra sempre’ / Espero de repente / Poder, enfim... / Volta!

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domingo, 30 de agosto de 2009

Lágrima


É água do mar que transporta toda sua imensidão
Numa gotinha só
Expressa um mundo todo
Palavra condensando
Saudade.

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sábado, 13 de junho de 2009

A despedida

Era pouco mais de meio dia. Fazia calor e eu havia desistido de vestir algo além de uma bermuda. A campainha tocou, era Beth. Segurando uma latinha de coca-cola, abri a porta.
-Olá - Ela falou meio triste, um pouco entretida com o nosso cachorro amarrado na coleira que ela segurava. Beth tinha olhos castanhos bastante expressivos, eu adorava fotografá-los. E eram eles que me diziam um “adeus” enquanto a boca soltava um “olá”.
Deu um gole na minha coca, um selinho breve e entrou no apartamento.
Eu esperava vê-la cabisbaixa, usando um jeans, camiseta e havaianas, os cabelos presos de qualquer jeito e uma mochila jogada nas costas. Mas estava linda, com um vestido florido (aquele, que comprou exclusivamente pra ir a um show comigo) e sandálias de amarrar. Os cabelos estavam presos, mas não de qualquer jeito. A bolsa de pano era linda, cheia de fitas coloridas caindo. Trazia Fox na coleira e ele parecia bem a vontade, mesmo usando uma camiseta de bolinhas... Estranho, não me lembro de ter reparado em tantas coisas nela antes.
Ela soltou Fox e foi pra cozinha, se serviu de uma lata de refrigerante. Eu fiquei na sala, acariciando Fox e tirando a coleira. Ela voltou e sentou-se na poltrona, e eu no sofá.
Parecíamos duas crianças. Um ano e dois meses, cinco meses morando juntos, divididos entre tapas e beijos, desavenças, crises. No meio de umas dessas, inclusive, ganhamos o Fox de um amigo. Era um labrador e daria o maior prejuízo quando crescesse e precisasse de espaço, e nosso apartamento era pequeno. Mas Beth nunca deixava-o se sentir triste, nunca deixava que lhe faltasse nada, de comida à amor. Fox chegou a dormir em nossa cama nos primeiros dias e ainda faz isso quando as chuvas trazem relâmpagos e trovões. O bicho parece um adolescente que não cabe mais na cama dos pais, e que não encontra segurança e conforto em outro lugar senão ao lado da mãe. Por essas e outras, e apesar de ter sido um presente pra mim, estava estampado no focinho dele que preferia a Beth; só me restava aceitar.
Eu não sabia exatamente o que ia acontecer, e percebi que Beth também estava muito calada, olhando pro nada. Fox pulou no colo dela, fazendo-a sair do transe. Eu estava tenso, havíamos brigado por uma besteira, algo que podíamos resolver depois de uma conversa, como sempre acontecia. Mas Beth estava com cara de quem não queria resolver nada. Ou talvez quisesse.
-Me diz o que você tá pensando – Eu não agüentava mais o silêncio e interrompi dessa forma.
Ela respirou fundo, como quem estivesse se livrando de um peso.
-Eu preciso de um tempo.
“Por quê? Sou um péssimo namorado? Não sou fiel ou bom o suficiente pra você? Tudo bem que não tenho sido dos mais atenciosos e companheiros nos últimos tempos, mas realmente preciso de um choque desses pra me corrigir? Eu respeito sua decisão, Beth, mas me diga o que posso fazer!”
Eu pensei em quinhentas mil coisas diferentes pra perguntar. Ao invés disso decidi deixá-la em silêncio. Levantei e fui pra janela. Talvez a minha recusa por seguir manuais e fazer "o que todo namorado faz" (como ela me falava) não havia sido a melhor coisa pra ela. Beth sentia falta do que a gente não fazia, do que a gente não vivia, do que eu me recusava a fazer e viver. E principalmente sentia falta de sentir-se minha namorada. Eu sabia o que faltava, só não sabia como suprir. Eu sabia que ela odiava quando eu sumia e depois aparecia dizendo que tava com saudade, quando eu me calava olhando-a sério por algum tempo, quando eu tinha ataques de grosseria momentâneos e não pedia desculpas deixando-a triste e sem saber o que fazer, quando a desarmava com um olhar carente, quando a contrariava, quando me defendia numa briga que ela acreditava estar absolutamente certa. Beth não agüentava mais isso e seu cansaço estava impresso nas suas olheiras. Só me restou o silêncio...
Ela levantou e foi pro nosso quarto. Quando voltou trazia uma mala com algumas roupas. Eu entendi tudo e coloquei a coleira em Fox; com certeza ele não ia querer ficar comigo.
-Você precisa de carona? – Eu perguntei.
-Não, meu pai está vindo me buscar.
Eu desci junto com ela e ficamos esperando por ele na porta do prédio com a mala e com Fox. Ao longe a caminhonete do pai dela já aparecia. Ela me beijou. Aliás, havia sido assim nos últimos meses; ela me beijava, me procurava, me cobrava, me ligava, me amava... Ela, ela, ela. Sempre ela! Mesmo eu tendo sempre deixado bem claro o quanto a amava e a respeitava (e de fato, eu o fazia), eu sentia que faltavam mínimas coisas que por vezes valiam mais que isso. Acho que Beth estava cansada disso também.
E em silêncio, céus, só eu sei o quanto ela detesta meu silêncio!
E em silêncio deixei meu amor ir embora.

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domingo, 31 de maio de 2009

Poeminha incompleto

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bem que eu podia jogar tudo que tenho num copo
pra te refrescar uma tarde, pra te molhar a garganta
ou te dar um nó nela, quem sabe...

eu podia te cobrar uns ducados...uns bocados
só pra alegrar tua vida, te fabricar um bom dia
é...eu podia te vender alegria,
pra te alegrar a manhã
ou fazer uns doces quem sabe...
(doce de limão...)

mas eu nem sou tão bom, eu nem sou tão mal
sou mais como um vaso na mesa, algo no pé da porta
no pé da escada, esperando um tropeço
(quase que como uma vontade enorme de se fazer notar...)

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

cinco minutos

ela queria cinco minutos de conversa
o bastante para olhar no olho
o suficiente para falar da saudade
o tempo certo para um beijo
e nada mais

mas ele achava besteira
tinham a vida inteira
era tempo o bastante para olhar no olho
para sentir e falar da saudade
para muitos beijos
e tudo mais

ela achava que esses cinco minutos eram cruciais
importantes como uma vida inteira
podiam valer mais que anos
que importância teria o calendário
diante do momento agora?

ele achava que o agora podia esperar mais um pouco
tinha outras urgências
e podia-se esperar mais cinco minutos
ou deixar para amanhã, para o fim de semana
para a semana que vem
para o infinito
...

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quinta-feira, 7 de maio de 2009

diálogo

- Eu vou lavar meu pé na bica.

- Vai nada que mainha não vai deixar.
É capaz de você pegar um resfriado até.

- Deixa de ser burro, resfriado é no nariz.
Eu só vou lavar o pé.

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